Exército atlante
O exército de Atlântida é formado normalmente por voluntários, cidadãos ou estrangeiros, que são razoavelmente bem pagos, considerados os benefícios (alojamento, roupas, serviço médico etc.) e, quando estão em suas guarnições permanentes, dispõe de um grau de conforto similar ao de um cidadão atlante comum (salvo no que se refere à privacidade) e freqüentemente superior ao dos civis dos povos conquistados entre os quais se aquartelam.
Os estrangeiros, depois de cumprido o período mínimo do serviço militar, ganham automaticamente a cidadania atlante. Os civis atlantes só são obrigados a servir em caso de necessidade extrema. Civis dos povos vassalos e conquistados ainda menos, salvo se já integrarem milícias locais, às vezes convocadas a servir como tropas auxiliares.
O exército é organizado em legiões, comandadas por estrátegos. Cinco legiões formam a guarda imperial e a guarda da capital; as restantes ficam dispersas pelo resto do império, principalmente nas regiões de fronteira. Entretanto, toda legião tem um centro de recrutamento em Atlântida, com uma base territorial formada de um ou mais municípios (ou bairros da capital) e que inclui uma escola militar encarregada do treinamento básico dos soldados.
Em tempo de paz, os soldados são treinados por dois anos antes de serem incorporados às legiões – normalmente, o primeiro ano é de treinamento básico similar para todos e no segundo são preparados para serem gimnetas, acontistas, cavalarianos ou amazonas. Em tempo de guerra, esse treinamento pode ser reduzido a seis meses. Normalmente, há quatrocentos recrutas em treinamento em cada escola militar. Em princípio, qualquer homem ou mulher livre e de boa saúde pode se candidatar, mas o interesse de jovens atlantes e mercenários estrangeiros por uma carreira militar é suficientemente alto para que os recrutadores possam se dar ao luxo de serem seletivos, escolhendo os candidatos fisicamente mais aptos.
Já aqueles considerados qualificados para serem oficiais fazem o primeiro ano de treinamento básico dos soldados (a menos que já sejam soldados experientes) e são em seguida enviados à academia de oficiais, onde permanecem quatro anos antes de serem integrados às legiões (um de treinamento básico de oficiais e três anos de especialização). A academia conta normalmente com quatro mil cadetes em treinamento. Estrangeiros raramente são aceitos pela escola de oficiais, a menos que já tenham provado sua lealdade ao Império. O estatuto de quancios (pequena nobreza) ou superior é requerido, mas não suficiente: é preciso também atender a requisitos especificamente militares. Membros da família real ou imperial que desejem seguir a carreira militar também precisam atender a esses requisitos e passar pela academia, embora tenham alguns privilégios e comecem sua carreira com um posto mais elevado.
A base permanente principal de uma legião atlante pode ser localizada dentro de uma grande cidade, geralmente junto às suas muralhas, ou então em uma vila especialmente construída em lugares estratégicos, perto da fronteira. Várias fortalezas e bases menores podem estar sob seu comando.
As punições por preguiça, insubordinação e covardia podem ser severas, variando de tarefas desagradáveis e açoites leves (mais humilhantes que outra coisa) à escravização e execução. Os castigos são normalmente ditados pelos comandantes, mas casos graves ou que envolvem oficiais são levados a cortes marciais – salvo em situações de combate, quando resultam em execuções sumárias. Entretanto, os soldados atlantes normalmente são disciplinados e honrados.
O sexo está integrado nas tradições militares de Atlântida. Heterossexual ou homossexual, é perfeitamente aceitável, desde que não interfira na disciplina, mas as amazonas, ginotoxotas e górgonas que engravidam sem permissão (apesar dos meios anticoncepcionais disponíveis, quase sempre eficazes) são desligadas do Exército.
Soldados e oficiais podem se casar depois de terminar seu treinamento. Os oficiais e o pessoal de apoio não-combatente, que podem morar com as esposas (ou maridos) nos quartéis, freqüentemente o fazem, mas entre os soldados, que dormem em alojamentos coletivos e só podem encontrar a família nos dias de folga, isso é pouco comum.
A atitude dos comandantes atlantes em relação à guerra normalmente é pragmática e racional: busca a vitória ao menor custo possível, dentro do código de honra atlante. Este proíbe, especificamente, subornar inimigos para matar ou trair seus superiores – embora infiltrar assassinos, espiões e sabotadores, ou oferecer recompensas a informantes e desertores seja considerado aceitável. Também é proibido saquear ou escravizar civis que não tenham resistido ao exércitos atlantes e os soldados atlantes são suficientemente disciplinados para aceitar essa restrição.
Saquear e escravizar inimigos derrotados e civis que os ajudaram ou resistiram à invasão é, porém, aceitável. Nesses casos, o saque é feito de maneira organizada e disciplinada, obedecendo às instruções do comandante sobre o que pode ser feito quem e o que pode ou não ser tocado – estupros e assassinatos arbitrários são proibidos; templos, hospitais, museus e bibliotecas são respeitados. Os cativos e o produto do saque são vendidos aos mercadores que costumam seguir de perto os exércitos atlantes e a receita é rateada entre todos os soldados, proporcionalmente a seus soldos.
Guerreiros e oficiais excessivamente obcecados pela glória não são bem vistos e podem ser punidos, se sua atitude implicar desobediência, causar riscos desnecessários ou se mostrar simplesmente estúpida. A rendição, porém, é considerada extremamente desonrosa – e, quase certamente, levará à escravização dos sobreviventes pelo inimigo. Um exército atlante acuado provavelmente sustentará pesadas perdas e exaustão extrema antes de se render.
Uma legião regular é comandada por um estrátego, que conta com um grupo de comando, doze coortes de infantaria, duas de cavalaria, uma de artilharia e uma de engenharia, totalizando cerca de 10.000 homens. Há cerca de cem dessas legiões no exército atlante.
Uma legião de assalto enfatiza engenharia, artilharia, máquinas de assalto, armas pesadas, elefantes e outros grandes animais e possui pouca ou nenhuma cavalaria, salvo batedores e mensageiros. São usadas principalmente no sítio de fortalezas e cidades amuralhadas. Há uma dúzia dessas legiões, estacionadas em torno de Babel e Dwaraka, na fronteira oriental.
Uma legião móvel é tipicamente formada por doze coortes de cavalaria e quatro de infantaria (geralmente toxotas e gimnetas), mais elefantes e carros de combate. Algumas legiões móveis são formadas exclusivamente por mulheres (incluindo a infantaria). Legiões móveis são usadas principalmente nas fronteiras com os helcarianos, agarthianos, kosalans e guptas, cujos exércitos se baseiam na cavalaria; há dez delas na fronteira oriental, dez na ocidental e quatro em torno do mar de Tétis.
Uma legião secundária é de qualidade inferior e menor tamanho, formada por seis a doze coortes, geralmente dez (sem hoplitas – só arqueiros e infantaria ligeira) com um pequeno comando, num total de 3.000 a 8.000 homens. É usada para guarnecer vice-reinos e estados vassalos nos quais não são esperados conflitos significativos. Nessas legiões pode haver coortes mistas de infantaria e cavalaria ligeira (tipicamente 480 infantes e 120 cavaleiros, amazonas, ou centauros). Há cerca de 40 dessas legiões reduzidas.
Uma legião terciária é ainda menor, formada por duas a quatro coortes de infantaria ou mistas e um comando proporcionalmente reduzido, num total de 1.000 a 2.500 homens. É usada como guarnição em colônias e vassalos pequenos e de menor importância. Há cerca de duzentas dessas pequenas legiões, cujos comandantes têm título de taxiarca e não de estrátego.
Múltiplas legiões agrupadas em um mesmo vice-reino ou próximas a uma mesma fronteira são agrupadas em Bandeiras, sob o comando de um marechal. Nas demais, o estrátego fica diretamente subordinado ao vice-rei que, por sua vez, responde ao ministro da Guerra, subordinado diretamente ao Imperador.
Os exércitos dos outros nove reinos de Poseidônis têm forças menores:
Eumelos – quarenta legiões, comparáveis às de Atlântida e concentradas nas colônias.
Mestor – apenas duas legiões completas, mas militarmente competentes e com magos particularmente poderosos.
Elasippos – doze legiões. seus soldados são dedicados e corajosos, mas os atlantes desdenham seus oficiais, escolhidos por meio de eleições.
Autoctonos – quinze legiões. consideradas superiores às de Atlântida e as únicas a dispor de cavalaria pesada. O Imperador de Atlântida ajuda o rei de Autoctonos a sustentar suas legiões em troca da manutenção de dez delas na fronteira oriental.
Amferes – oito legiões mal disciplinadas e pior comandadas: seus comandantes são nobres hereditários e freqüentemente sem gosto pela vida militar.
Mneseas – quatro legiões com uma excelente infantaria, mas sem cavalaria e excessivamente tradicionalistas, mesmo para os padrões atlantes: resistem a usar mosquetes e lanças de fogo e se apegam a costumes militares há muito esquecidos. Por outro lado, sua disciplina é excelente, todos os soldados têm um excelente treinamento em artes marciais e obedecem fanaticamente às ordens recebidas. Os generais atlantes as consideram boas para manter a ordem em territórios conquistados, mas inadequadas para enfrentar inimigos bem armados.
Evaimon – doze legiões tão ruins quanto as de Amferes, exceto que os cargos de comando não são herdados, mas comprados e vendidos pelos seus mercadores mais poderosos.
Diaprepes – doze legiões com boa infantaria, mas cavalaria insignificante, comparáveis às legiões secundárias de Atlântida.
Azaés – trinta legiões turbulentas e indisciplinadas, freqüentemente envolvidas em golpes de Estado e lutas internas, que muitas vezes decidem o comando das próprias legiões e mesmo de unidades menores. São consideradas as piores tropas do Império.
Infantaria
A infantaria de uma legião regular geralmente inclui duas coortes de infantaria pesada (hoplitas), duas coortes de arqueiros (toxotas), duas de fustibulários (esfendonetas), três de piqueiros (gimnetas) e três de besteiros (acontistas).
Em combate, a infantaria dispõe-se ao longo de todo o front, dividida por centúrias, com as coortes de hoplitas costumeiramente à frente e à direita. O infante deve ficar no coração do combate, ter contato físico direto, com as tropas adversárias, ver o branco dos olhos do inimigo e conquistar e manter posições. Deve suportar condições extremamente adversas e deve ter ótimo Preparo Físico para superar obstáculos naturais, fazer longas marchas carregando equipamento pesado e correr quando é preciso. Deve conviver com falta de sono, de comida e de conforto: é quem pega a batata quente. Também convive intimamente com o cansaço e a morte e, por isso, precisa de desprendimento, coragem e entusiasmo. O oficial infante deve ser um líder capaz de dar o exemplo e manter elevado o moral dos subordinados, apesar de todos os riscos. Geralmente, atua com sua tropa a uma distância muito próxima dos demais corpos de infantes e de seus superiores, tipicamente duzentos ou trezentos metros.
Cada coorte de infantaria tem um núcleo de comando formado por um polemarca ou sintagmatarca (comparável a um coronel ou tenente-coronel) que conta com três oficiais auxiliares (comparáveis a majores) e uma equipe de magos, sacerdotes, músicos, instrutores, artesãos, escriturários e médicos, além de um pelotão de 40 soldados de elite sob comando direto do sintagmatarca, que também podem assumir o papel de policiais militares (no caso dos gimnetas e acontistas) ou uma pequena guarda de honra para o polemarca e uma equipe de sessenta escudeiros (no caso dos hoplitas) ou trinta armeiros (no caso dos toxotas e esfendonetas). Cada coorte também é acompanhada por dez a vinte vivandeiras, que recebem salários do Império para ficarem à disposição dos soldados em seus momentos de lazer e, se necessário, também atuam como auxiliares de enfermagem.
O resto da coorte divide-se em seis centúrias, cada uma delas formada por um centurião (comparável a capitão), três auxiliares (comparáveis a tenentes ou primeiros-sargentos), um porta-bandeira, um corneteiro e 80 soldados, dez dos quais, graduados como decanos (comparáveis a cabos ou terceiros-sargentos), lideram esquadras de oito homens. As centúrias são forças coesas e muito solidárias, normalmente formadas totalmente (ou quase) por novos soldados recrutados em um mesmo município, ou então por veteranos que fizeram carreira em uma mesma legião. Cada uma delas dispõe de um caravaneiro e pelo menos dez fortes animais de carga – grandes camelos, titanotílopes ou mesmo elefantes – para transportar suprimentos e equipamentos pesados para as esquadras.
|
Hoplitas atlantes (2ª classe) |
Os hoplitas constituem a tradicional tropa de elite do exército atlante e formam a primeira e a segunda coortes. Apesar de lutarem a pé, têm um prestígio análogo ao dos cavaleiros de um exército medieval. No passado, constituíram uma infantaria pesada antiga convencional, equipada com armaduras simples, escudos grandes e lanças longas, em formações cerradas à maneira dos hoplitas gregos e das falanges macedônicas. Atualmente, usam táticas mais flexíveis. Usam armaduras completa de aço (hoplitas de 2ª classe) ou de oricalco (1ª classe) e podem lutar com alabardas, espadas de duas mãos, espadas bastardas e escudo, ou bestas de repetição.
As armaduras ajustam-se perfeitamente ao corpo do soldado e não são estritamente padronizadas: os hoplitas podem personalizá-las com emblemas de seu clã, condecorações pessoais, amuletos e talismãs. A forma dos capacetes varia de acordo com a graduação e a centúria. Ao contrário das demais centúrias das legiões, as de hoplitas geralmente não recebem simples números, mas nomes – geralmente o de constelações, principalmente as do zodíaco.
O papel dos hoplitas é o de tropas de choque, preparadas para romper as melhores defesas do inimigo. Normalmente, as duas primeiras centúrias de cada coorte são formadas de hoplitas de primeira classe, melhor protegidos e as quatro outras são de segunda classe. Em combate, as centúrias de primeira classe normalmente vão à frente.
Cada esquadra tem agregada a si um escudeiro, encarregado de ajustar e reparar as armaduras e de ajudar os hoplitas a colocá-las. Normalmente, não participam do combate, mas limitam-se a proteger o equipamento, armados com cota de malha, escudo e espadas curtas. Podem ser eventualmente promovidos a hoplitas, se cumprirem os requisitos físicos para isso.
Embora a seleção das tropas atlantes não siga critérios raciais, na prática os requisitos de tamanho e força restringem a participação nas coortes de hoplitas quase exclusivamente a senzares, ocasionalmente kharis. É preciso, além disso, ter servido pelo menos três anos como gimnetas ou acontistas para ser um hoplita de segunda classe e permanecer pelo menos mais três nessa categoria (e esperar por uma vaga) antes de ser promovido para a primeira e receber a ambicionada armadura dourada de oricalco.
As górgonas são humanóides exclusivamente femininos de uma espécie que se reproduz por ginogênese. São tão fortes quanto um típico hoplita e perfeitamente capazes de usar armadura e equipamento equivalentes. Entretanto, questões de disciplina e diferenças culturais em relação aos atlantes tornam conveniente que formem centúrias separadas. Há mesmo algumas legiões de assalto que possuem coortes totalmente formadas por górgonas. Estas podem ter um bom relacionamento mais do que amigável com homens que não se assustem com sua força e músculos, mas se dão mal com mulheres humanas, principalmente as amazonas. Legiões baseadas em amazonas dificilmente operam junto com górgonas.
Os gigantes são lemurianos ou homens-lagarto de mais de três metros de altura, equipados com armaduras de aço e armas pesadas – grandes machados ou maças – usados como força auxiliar dos hoplitas que tentam romper linhas inimigas. Pode haver trinta a sessenta deles em uma legião, agrupados em equipes de oito comandadas por hoplitas particularmente fortes e experientes.
Os toxotas são arqueiros a pé, com prestígio pouco menor que o dos hoplitas. Formam a terceira e a quarta coortes. Também precisam servir três anos entre os gimnetas ou acontistas, mas para esse corpo, habilidade e poder mágico são tão ou mais importantes do que tamanho e força, de modo que essa tropa é o objetivo da maioria dos não-senzares ambiciosos que ingressam na infantaria. No passado, utilizavam arcos longos. Atualmente, atacam com grandes arcos compostos de longo alcance que podem projetar flechas explosivas, incendiárias, ou mágicas, além de flechas convencionais, capazes de perfurar armaduras de aço (mas, normalmente, não de oricalco). Usam cota de malha com capacete e uma placa peitoral e portam machadinha e broquel, para se defenderem de eventuais surpresas.
Nas legiões móveis femininas, as coortes de toxotas são geralmente formadas por mulheres, neste caso chamadas de ginotoxotas; tradicionalmente usam arcos e armaduras mais leves do que os toxotas clássicos e espadas curtas, em vez de machadinhas.
Os esfendonetas formam a quinta e a sexta coortes. Foram no passado fundibulários, armados com fustíbalos (varas equipadas com fundas) que lançavam simples pedras. Atualmente, essas pedras foram substituídas por bolas explosivas que lançam fragmentos, transformando os esfendonetas, na prática, em granadeiros de alcance ampliado. Além de um saco de granadas e do fustíbalo, levam cota de malha, capacete, espada curta e broquel. Força e estatura elevada são muito desejáveis, de modo que essa força também é formada principalmente por kharis e senzares.
|
Coorte de gimnetas |
Os gimnetas formam a sétima, oitava e nona coortes. Foram no passado fundibulários de segunda classe, armados com fundas simples. Atualmente, são essencialmente piqueiros, armados com lanças ou alabardas longas (destinadas aos mais experientes) nas quais são fixadas bocas-de-fogo capazes de funcionar como lança-chamas ou de disparar uma bala ou um dardo, o que as faz semelhantes às lanças de fogo da China antiga e comparáveis em função às baionetas do século XIX. Os soldados também levam espadas curtas, escudos médios, capacetes e cotas de malha. O pelotão de elite pode usar uma arma de fogo primitiva, equivalente aproximadamente a um mosquete renascentista, que leva cerca de um minuto para ser carregada, além de espada longa, capacete, cota de malha e broquel. A funda ainda faz parte do treinamento e do equipamento. É pouco usada em combate, mas muitos gimnetas a praticam, pois a habilidade na funda é requisito para a promoção a esfendoneta. Gimnetas habilidosos com a besta também podem ser chamados para o prestigioso corpo de toxotas.
Os acontistas formam a décima, décima primeira e décima segunda coortes. Foram no passado arremessadores de azagaias, tradicionalmente lançadas com auxílio do atlatl. Atualmente, carregam poderosas bestas compostas, além de espada curta, capacete, cota de malha e broquel. O pelotão de elite pode usar armaduras de aço, uma espada longa e uma curta e seus membros equivalem aproximadamente a samurais japoneses desmontados. O atlat ainda faz parte do treinamento e do equipamento, mas é pouco usado. Muitos acontistas o praticam para demonstrar a habilidade que pode levá-los ao corpo de esfendonetas ou de toxotas.
Vagões de guerra são freqüentemente usados por gimnetas ou acontistas. São grandes carros blindados de madeira (mais de dez toneladas), conduzidos por dois cocheiros e puxados por oito ou mais cavalos, que levam vinte guerreiros equipados com bestas ou mosquetes,
Engenharia
A engenharia atlante, ou coorte de sapadores, atua principalmente como apoio à infantaria. Normalmente inclui pelo menos cem oficiais engenheiros e duzentos auxiliares, reforçados por tropas de infantaria quando necessário. Anões, quando se engajam no Exército atlante, geralmente atuam nesse corpo. Suas atividades específicas são construir pontes rápidas para a transposição de cursos d’água, construir ou desativar armadilhas, fazer demolições com o uso de escavações e explosivos, remover obstáculos naturais e construir e operar máquinas de cerco (aríetes, torres móveis etc.) e rampas de acesso a fortificações inimigas. Em casos extremos, os engenheiros ou sapadores também podem atuar como tropas auxiliares de infantaria. Espera-se do osficial de engenharia que tenha individualidade, criatividade e capacidade de tomar decisões independentes. Seu trabalho pode às vezes ser braçal e pesado, mas também é fundamentalmente técnico e científico. Mas não pode ser tão perfeccionista e detalhista quanto o artilheiro, pois deve realizar suas tarefas rapidamente, muitas vezes sob ataque inimigo. Em termos de jogo, deve ter uma Inteligência Abstrata acima da média e uma Inteligência Pessoal alta.
Cavalaria
A cavalaria atua basicamente pelos flancos. Sua missão é fazer reconhecimento avançado através de incursões no campo adversário e abrir brechas na linha inimiga, favorecendo o avanço da infantaria. Para isso, necessita de impacto e rapidez, é a tropa do assalto e da decisão. Precisa movimentar-se com velocidade, entrar em contato com o inimigo e sair desse contato rapidamente – ir para cima de morro, barro, água, entrar de roldão como um furacão, destruindo e causando confusão nas hostes inimigas. O cavalariano ou amazona deve ser corajoso e rápido, não pode perder muito tempo raciocinando, não deve se preocupar muito com nada – espera-se que seja descontraído, largado. O oficial cavalariano ou amazona pode ter de comandar seu pelotão muito distante de seus superiores imediatos, às vezes vários quilômetros à frente.
Os cavalos são fornecidos pelo Exército e os cavalarianos e amazonas atlantes, ao contrário dos cavaleiros gregos, romanos e medievais, não precisam ser ricos ou pertencer à nobreza e não constituem uma força particularmente prestigiada. Dado que a força do cavalo limita o peso dos cavaleiros, mulheres ou guerreiros de menor porte são preferidos para essa força – tlavatlis, fomoris ou helcarianos constituem a maior parte dos cavalarianos masculinos, mesmo nas legiões atlantes.
As coortes de cavalaria não são organizadas em seis centúrias, mas em doze turmas (pelotões) de 40 cavaleiros ou amazonas, comandadas por um decurião com um auxiliar. O polemarca não conta com um pelotão de elite, mas apenas com uma guarda de honra de dez cavaleiros. Todos os membros da coorte, inclusive os auxiliares, dispõem de montaria.
Os catafractos formam a primeira coorte de cavalaria. São cavaleiros dotados de armadura de escamas, lança, cimitarra e espada curta que montam cavalos cobertos por cota de malha. É uma cavalaria de choque, usada para fazer cargas contra formações de arqueiros e soldados a pé, ou atacar artilheiros que se escondem por trás de suas bombardas e catapultas. Bucentauros são também ocasionalmente usados nesse papel, formando turmas à parte.
As amazonas normalmente formam a segunda coorte de cavalaria. São geralmente mulheres a cavalo – na maioria senzares, mas às vezes kharis ou tlavatlis – armadas com arco composto, armadura de couro, capacete, cimitarra e espada curta que montam cavalos sem armadura. Essas tropas muito móveis dizimam os inimigos com arcos a uma certa distância; se estes tentam se aproximar, elas recuam confiando na resistência dos seus cavalos para vencer os perseguidores pelo cansaço, enquanto continuam a fustigá-los com flechas. Em algumas legiões, essa força é integrada por homens armados da mesma maneira, chamados nesse caso de hippotoxotas. Há uns poucos casos de coortes mistas (geralmente lideradas por uma amazona), mas as turmas são sempre exclusivamente femininas ou masculinas.
A verdadeira cavalaria pesada não existe nos exércitos de Atlântida, até porque não há cavalos suficientemente grandes e fortes para carregar um senzar com armadura completa. Seu papel é assumido por carros de combate, elefantes ou outras montarias exóticas. As legiões de Autoctonos, porém, possuem essa força, em vez de amazonas. Uma coorte de cavalaria pesada é formada por cavaleiros usando armaduras de placas de aço ou oricalco sobre grandes cavalos de batalha igualmente cobertos de armadura, destinados a romper formações de infantaria pesada ou enfrentar outras formações de cavalaria.
Artilharia
A artilharia atlante atua afastada do front da batalha, apoiando a infantaria e a cavalaria com tiros de gastrafetas, escorpiões, políbolos e bombardas que, apesar do aspecto primitivo, são armas razoavelmente precisas e poderosas, uma vez que a alquimia e a magia atlantes possibilita projéteis explosivos. Uma coorte de artilharia atlante tipicamente inclui cem peças de artilharia, 500 artilheiros e duzentos ou mais animais de tração, geralmente grandes cavalos. A artilharia deve imobilizar os inimigos com suas barragens de projéteis ou pelo menos os inquietar, causando-lhes adversidades e preparando o ataque de infantes e cavaleiros. Apesar de o desgaste físico do artilheiro ser menor que o do infante ou do cavalariano, seu trabalho também exige alguma resistência física e a capacidade de conviver ocasionalmente com falta de sono, comida e conforto. Seu trabalho é mais técnico que o das outras formações, exige habilidade matemática, meticulosidade e precisão, para evitar que o tiro erre com demasiada freqüência ou atinja as próprias tropas. Espera-se do oficial de artilharia que seja obsessivamente racional, cuidadoso e exato. Em termos de jogo, deve ter uma Inteligência Abstrata alta.
Comando
O quartel-general de uma legião atlante normalmente fica na retaguarda do combate, mas se espera que o estrátego que comanda a legião atlante ou os seus assessores diretos aparecem freqüentemente na linha de frente para ver a situação com seus próprios olhos e encorajar as tropas. O núcleo de comando inclui também dezenas de oficiais auxiliares, ordenanças, magos, sacerdotes, médicos e escriturários, intendentes encarregados do abastecimento da legião e seus auxiliares.
Além disso, também tem eficazes combatentes sob seu comando direto: uma guarda de honra constituída de uma centúria dos hoplitas, uma centúria de toxotas, uma centúria de catafractos e uma centúria de amazonas para os quais são escolhidos os mais experientes da legião, além de alguns grupos de combate especializados, a saber:
As bigas formam uma força de apoio aos hoplitas. Uma típica legião atlante inclui oitenta bigas, guarnecidas de foices de aço nas rodas, blindados com lâminas de oricalco e puxados por dois cavalos igualmente cobertos de armadura. Cada um deles é guiado por um catafracto dotado de armadura de escamas e espada curta, que faz o papel de auriga e leva um experiente hoplita de oricalco, armado com uma besta de repetição ou com uma alabarda; ou então um toxota. Ao contrário das bigas usadas pelos antigos assírios, persas e indianos, as bigas atlantes têm boa suspensão, rodas emborrachadas, um sistema de direção que permite curvas fechadas e arreios eficientes que aproveitam ao máximo a força dos cavalos, mas mesmo assim só são utilizáveis em terrenos razoavelmente planos. Na maioria das vezes, esses hoplitas e toxotas combatem como a infantaria de linha e seus aurigas como catafractos, ou então embarcam em elefantes de guerra e máquinas de assalto. Nos desfiles militares, porém, as tradicionais bigas sempre têm um papel de honra.
Os elefantes formam um grupo especial. Uma típica legião atlante inclui vinte elefantes atlantes (Elephas antiquus), maiores que os elefantes indianos modernos – em média, pesam doze toneladas e têm mais de quatro metros de altura. Cada um deles leva um cornaca (tratador) e quatro toxotas ou ginotoxotas. Ocasionalmente, são usados beemotes, que podem levar seis toxotas. Olifantes, que podem levar até trinta toxotas ou vinte hoplitas, são às vezes usados em legiões de assalto como máquinas de cerco ou vagões de guerra vivos. Os triceratops, que não levam toxotas, mas apenas um cornaca, são usados como aríetes vivos, contra portões de madeira ou contra elefantes e olifantes inimigos.
As vimanas leves são pequenos veículos aéreos mágicos, com a forma de barcos alados, usados para reconhecimento e ocasionalmente também para bombardeio. Uma legião atlante procura dispor de pelo menos dois ou três desses veículos.
Os dragões voadores também são usados para reconhecimento; uma legião procura ter também dois ou três deles.
Os mateiros são uma força de especialistas em camuflagem e rastreamento, usada como batedores e espiões e para realizar ataques especiais. Operam individualmente ou em pequenos grupos, podem usar uma grande variedade de armas e equipamentos – principalmente arcos curtos e espadas curtas – e recebem treinamento avançado em artes marciais. Alguns deles equivalem, na prática, a ninjas. Geralmente também são treinados como alpinistas e especialistas em sobrevivência.
Muitos mateiros trabalham com animais treinados. Alguns são especialistas em pombos-correio. Outros adestram falcões para caçar pombos-correio do inimigo e ajudar no reconhecimento da região. Há também os que treinam grandes cães pastores e sabujos e mesmo dlasmaus (felinos dentuços um pouco menores que os dentes-de-sabre pré-históricos, mas mais velozes, inteligentes e treináveis) ou santares (felinos do porte de leões e tigres, mais inteligentes e treináveis) para rastreamento e guerra. Em combate, os dlasmaus e santares podem usar cota de malha. Uma legião típica inclui 40 a 100 mateiros, agrupados em quatro a dez equipes, uma das quais deve contar com uma matilha de cães pastores e outra com seis a dez santares, ou três ou quatro dlasmaus. Pigmeus, onocentauros e elfos, quando se alistam no Exército atlante, geralmente se tornam mateiros.
A cavalaria ligeira é formada por homens ou mulheres a cavalo ou por centauros, equipados com armadura de couro e cimitarra. São usados como batedores e mensageiros; ocasionalmente, podem auxiliar no combate fustigando a infantaria ligeira, ou perseguindo inimigos em fuga. Cada legião conta com três ou quatro turmas de cavalaria ligeira. Os centauros que se alistam nas legiões sempre são usados na cavalaria ligeira. Pigmeus montando cavalos pequenos ou pôneis também são úteis nessa função.
Hierarquia militar
|
grau |
posto |
Grau de . habilidade esperado em combate |
Grau de . habilidade esperado em tática |
Grau de . habilidade esperado em estratégia |
Soldo mensal em ases |
observações |
|
12 |
marechal |
3 |
4 |
7 |
2.000 |
Comandante de várias legiões. O posto traz promoção imediata para o estatuto civil de kucios, se o oficial ainda não o tem. Alguns chegam a vacios. |
|
11 |
general |
3 |
4 |
6½ |
1.000 |
Assistente de marechal. O posto traz promoção imediata para o estatuto civil de hocios, se o oficial ainda não o tem. |
|
10 |
estrátego |
3 |
4 |
6 |
600 |
Comandante de legião regular ou secundária |
|
9½ |
vice-estrátego |
3 |
4 |
5½ |
500 |
Primeiro assistente do comandante da legião. O posto traz promoção imediata para o estatuto civil de pascios, se o oficial ainda não o tem. |
|
9 |
contra-estrátego |
3 |
4 |
5 |
400 |
Assistente direto do comandante da legião |
|
8½ |
taxiarca |
3 |
4 |
4½ |
300 |
Comandante de legião terciária. . O posto traz promoção imediata para o estatuto civil de cicios, se o oficial ainda não o tem. |
|
8 |
vice-taxiarca |
3 |
4 |
4 |
200 |
Primeiro assistente do comandante de legião terciária |
|
7½ |
contra-taxiarca |
3 |
4 |
3½ |
150 |
Assistente direto do comandante de legião terciária. . O posto traz promoção imediata para o estatuto civil de nemcios, se o oficial ainda não o tem. |
|
7 |
polemarca |
3 |
4 |
3½ |
100 |
Comandante de coorte de hoplitas ou cavaleiros |
|
6½ |
filarca |
3 |
3½ |
3 |
80 |
Assistente do comandante de coorte de hoplitas ou cavaleiros. Membros da família imperial podem começar por esse posto assim que completam o treinamento para oficial. O posto traz promoção imediata para o estatuto civil de hincios, se o oficial ainda não o tem. |
|
6 |
sintagmatarca |
3 |
4 |
3 |
60 |
Comandante de coorte, equivalente aproximadamente a tenente-coronel. |
|
5½ |
tagmatarca |
3 |
3½ |
2½ |
50 |
Assistente do comandante da coorte, equivale aproximadamente a major. Membros de famílias reais podem começar por esse posto assim que completam o treinamento para oficial. O posto traz promoção imediata para o estatuto civil de zecios, se o oficial ainda não o tem. |
|
5 |
centurião |
3 |
3 |
2 |
40 |
Comandante de centúria de infantes, de turma de cavaleiros ou de pelotão de elite; equivale aproximadamente a capitão. |
|
4½ |
vice-centurião |
2½ |
2½ |
1½ |
30 |
Auxiliar experiente de comandante de centúria; equivale aproximadamente a primeiro-tenente. O posto traz promoção imediata para o estatuto civil de siocios, se o oficial ainda não o tem. |
|
4 |
contra-centurião |
2 |
2 |
1 |
25 |
Auxiliar novato de comandante de centúria, equivale aproximadamente a segundo-tenente. |
|
3½ |
cadete |
2 |
2 |
½ |
10 |
Oficial em treinamento recrutado entre civis qualificados pelo físico e inteligência que passaram pelo posto de aspirante ou entre decuriões experientes (nesse caso, com habilidade mais alta em combate e tática). O posto traz promoção imediata para o estatuto civil de zorcios, se o soldado ainda não o tem. |
|
3½ |
decurião-mor |
3 |
4 |
1½ |
40 |
Soldado graduado na função de auxiliar direto de um sintagmatarca, passível de promoção para centurião. |
|
3½ |
decurião |
3 |
3½ |
1 |
30 |
Soldado graduado na função de auxiliar direto de um centurião, passível de promoção para vice-centurião. O posto traz promoção imediata para o estatuto civil de zorcios, se o soldado ainda não o tem |
|
3 |
vice-decurião |
3 |
3 |
½ |
25 |
Soldado graduado na função de porta-bandeira ou corneteiro de uma centúria de hoplitas ou responsável por uma esquadra de elite. Equivale aproximadamente a um primeiro-sargento. |
|
2½ |
contradecurião |
3 |
2½ |
0 |
20 |
Soldado graduado na função de porta-bandeira ou corneteiro de uma centúria ou pelotão ou responsável por uma esquadra de hoplitas ou cavaleiros. Equivale aproximadamente a um segundo-sargento. O posto traz promoção imediata para o estatuto civil de quancios, se o soldado ainda não o tem. |
|
2 |
decano |
3 |
2 |
0 |
16 |
Soldado graduado, responsável por uma esquadra de oito homens e seu equipamento. Equivale aproximadamente a um terceiro-sargento. |
|
2 |
herói |
4 |
2½ |
– |
16 |
Soldado que já enfrentou pelo menos vinte batalhas e demonstrou coragem e habilidade excepcionais. O posto traz promoção imediata para o estatuto civil de siocios, se o soldado ainda não o tem. É possível obter estatutos ainda mais elevados sem sair desse posto. |
|
1½ |
paladino |
3½ |
2 |
– |
12 |
Soldado que já enfrentou pelo menos quinze batalhas; requisito para ser hoplita de biga ou para integrar pelotões de elite. O posto traz promoção imediata para o estatuto civil de zorcios, se o soldado ainda não o tem. |
|
1 |
campeador |
3 |
1½ |
– |
10 |
Soldado que já enfrentou pelo menos dez batalhas; requisito para ser hoplita de oricalco ou para integrar pelotões de elite; liberado da maioria das tarefas de rotina. Tipicamente, 20% dos soldados de uma boa legião estão nesta categoria. O posto traz promoção imediata para o estatuto civil de quancios, se o soldado ainda não o tem e o torna passível de promoção a contradecurião. |
|
½ |
guerreiro |
2½ |
1 |
– |
8 |
Soldado que já enfrentou pelo menos seis batalhas; requisito para ser hoplita, toxota ou esfendoneta. Tipicamente, 40% dos soldados de uma boa legião estão nesta categoria. O posto traz promoção imediata para o estatuto civil de kecios, se o soldado ainda não o tem e o torna passível de promoção a decano. |
|
0 |
combatente |
2 |
½ |
– |
6 |
Soldado que já enfrentou pelo menos três batalhas; a maioria dos gimnetas e acontistas tem esta graduação. Tipicamente, 20% dos membros de uma legião estão nessa categoria. Mesmo que não seja promovido no Exército, pode obter o estatuto de kecios depois de 44 anos de serviço ou baixa honrosa. |
|
-½ |
soldado |
1½ |
0 |
– |
3 |
Soldado que completou o segundo ano de treinamento e foi integrado à legião, ou que mesmo sem ter completado o treinamento, já foi integrado à legião e travou sua primeira batalha; o posto traz promoção imediata para o estatuto civil de bincios, se o soldado ainda não o tem. Não-combatentes a serviço da legião podem permanecer nessa categoria Mesmo sem se ser promovido para além desse posto, pode-se obter o estatuto de kecios depois de 44 anos de serviço ou baixa honrosa. |
|
-½ |
aspirante |
1 |
1 |
0 |
3 |
Oficial recrutado entre civis qualificados pelo físico e inteligência, nos dois primeiros anos de treinamento. O estatuto civil de quancios ou superior é requerido. |
|
-1 |
recruta avançado |
1 |
– |
– |
0 |
Soldado no segundo ano de treinamento e que jamais participou de uma batalha. |
|
-1½ |
recruta intermediário |
½ |
– |
– |
0 |
Soldado no primeiro ano de treinamento |
|
-2 |
recruta iniciante |
0 |
– |
– |
0 |
Soldado no primeiro trimestre de treinamento |